O Pandora é um coletivo artístico de Belo Horizonte, afiliado à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e ao CNPq, dedicado ao violão percussivo e à música contemporânea de vanguarda.

Fundado em 2022 e sob direção geral de Stanley Levi, o grupo atua em duas frentes: na pesquisa acadêmica, desenvolvendo subsídios teóricos, técnicos e pedagógicos para a prática violonística; e na cena artística, apresentando espetáculos que expandem os limites do instrumento por meio de recursos eletroacústicos e protótipos desenvolvidos com ateliês de luteria do Brasil.
O coletivo é formado pelos instrumentistas Gabriel Neves, Gustavo Ramos, Julia Rocha, Pedro Gilberto, Ricardo Jamal, Talmer Oliveira e Stanley Levi, com eletrônica de Thiago Diniz e compositores residentes do Brasil e do Japão.

Entre seus reconhecimentos, destaca-se o prêmio de melhor trabalho no 8º Congresso de Música "Nas Nuvens..." (2022) e o 1º lugar no concurso Segunda Musical da ALMG (2024). O grupo já se apresentou em espaços como a Casa da Ópera de Sabará, o Museu Mineiro e o Teatro da Assembleia Legislativa.
O violão percussivo é uma abordagem contemporânea que expande as possibilidades do instrumento ao tratar o violão como um corpo sonoro total - conceito desenvolvido por Cristiano Braga (Oliveira, 2020). Nessa perspectiva, tampo, laterais, fundo e braço tornam-se fontes de som, não apenas as cordas.
Ao incorporar batidas, estalos e ataques no corpo do instrumento, o músico utiliza recursos percussivos: sons com forte ataque e espectro inarmônico, sem altura definida - características típicas da percussão. Isso enriquece significativamente o vocabulário sonoro do violonista.
O conceito foi sistematizado por Stanley Levi em sua tese de doutorado, que define o violão percussivo como uma forma de tocar em que elementos rítmicos e timbrísticos ocupam posição hierárquica igual ou superior aos elementos harmônicos e melódicos.
Dentro da técnica violonística, o percussivo figura como um dos três principais grupos técnicos - ao lado do dedilhado e do rasgueado -, cada um reunindo diferentes formas de produção sonora e ampliando as possibilidades expressivas do intérprete.
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Desenvolvido a partir de anos de pesquisa, o Caixa de Pandora apresenta uma metodologia inédita em português para uma das abordagens mais contemporâneas do instrumento. Voltado a iniciantes, graduandos e profissionais, o material preenche uma lacuna significativa: o violão percussivo ainda está ausente da maioria dos programas de ensino formal e informal no Brasil.

O livro trata o violão como um corpo sonoro total, explorando suas possibilidades rítmicas e timbrísticas muito além das cordas. Sua proposta pedagógica é humanizada e centrada na autonomia do estudante, valorizando composição, improvisação, escuta e criação - competências raramente abordadas em métodos tradicionais.

A organização em Sistema Espiral permite múltiplas trajetórias de aprendizagem, adaptando-se ao ritmo de cada estudante sem uma sequência linear obrigatória. O guia também inclui autoavaliações, atividades autoprogressivas e orientações para prática coletiva e com metrônomo.

Mais do que um manual técnico, trata-se de um convite à exploração criativa do violão -acessível, desafiador e pedagogicamente inovador.

O projeto Pandora se desdobra em uma série de materiais que colocam o violão percussivo ao alcance de músicos, pesquisadores e entusiastas do instrumento.
O Caixa de Pandora é um guia didático com metodologia inédita em português para o aprendizado do violão percussivo, com atividades progressivas voltadas a iniciantes, graduandos e profissionais.


O Livro de Obras reúne o repertório original composto especialmente para o projeto, incluindo peças escritas para os protótipos Pandora. O conteúdo está disponível gratuitamente para download em PDF.

O Livro de Miniaturas completa o conjunto com peças de menor extensão, ampliando o repertório disponível para o violonista percussivo.

Os membros do projeto também têm produção acadêmica publicada em congressos de referência na área de música, como ANPPOM, Nas Nuvens e ABEM, com comunicações de pesquisa e pôsteres que ampliam o debate científico em torno do violão percussivo.

O projeto Pandora gerou um repertório diverso e em constante crescimento, reunindo obras solo, peças de câmara, arranjos e miniaturas para violão percussivo.

As composições incluem trabalhos de membros do próprio grupo - tanto individuais quanto coletivos -, de professores das universidades UFMG e UFRGS, e da compositora residente japonesa Nanao Yamada, autora de Izukata (2025), evidenciando o alcance internacional do projeto.

Entre as peças para grupo, destacam-se Crux e Encruzilhada (Renan Fontes, 2023 e 2024), Nó (Thiago Diniz, 2024) e Izukata (Nanao Yamada, 2025). E também a obra composta coletivamente durante o próprio processo do projeto, Violárvore (Pandora, 2022).

O Livro de Miniaturas reúne peças de extensão reduzida assinadas por compositores como Thiago Colombo, Renan Fontes, Bruno Ishisaki, Rafael Macedo, Eduardo Campolina, Amanda Carpenedo, Lucas Telles, Daniel Wolff, Júlia Rocha, Stanley Fernandes, Gustavo Ramos e outros - totalizando mais de 25 miniaturas originais.
O projeto de pesquisa sobre violão percussivo resultou na construção de três violões experimentais - os protótipos Pandora 1, 2 e 3 -, cada um desenvolvido com luthiers diferentes, buscando características sonoras específicas para ampliar o potencial percussivo do instrumento.

O Pandora 1 foi construído em 2020 pelo luthier Paulo Marcos Aguiar, reconhecido pelo equilíbrio sonoro de seus instrumentos e pelo domínio da tecnologia de tampo duplo (Double Top). O Pandora 2, construído por Jorge Raphael, também utiliza essa tecnologia, enquanto o Pandora 3, construído pelo luthier Fred Herrmann, é o único sem tampo duplo.

O Pandora 1 reúne diversas inovações: é um violão de 9 cordas, com braço e cabeça ocos formando câmaras de ressonância, laterais mais espessas para maior sonoridade e tampo misto - Double Top no bojo maior e madeira maciça no menor. Incorpora ainda raspadores fixados em diferentes pontos do corpo, produzindo sons variados conforme a posição, e um organizador de cordas que cria segmentos extras aproveitáveis como recurso percussivo.

Anderson Reis

Stanley Levi

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