Das esquinas à universidade: como o violão conquistou espaço na academia em Belo Horizonte


Double-click this headline to edit the text.

8 de abril de 2026

Quer divulgar
o seu trabalho?

Mande um e-mail e saiba mais como participar.

 

Durante muito tempo, o violão foi visto apenas como um instrumento popular. Associado às rodas informais, às serenatas e às esquinas das cidades, ele demorou a ser reconhecido dentro do ambiente acadêmico.

No entanto, essa realidade começou a mudar ao longo do século XX, especialmente em Belo Horizonte.

Segundo a pesquisa “Dicotomias e Similaridades na Trajetória do Violão em Belo Horizonte”, de Fábio Nery de Souza, três personagens tiveram papel decisivo nesse processo: Juan Angel Rodríguez, José de Assis Martins e Maria Rachel Tostes.

Cada um deles contribuiu, de forma complementar, para que o violão deixasse de ser apenas um instrumento popular e se tornasse parte do ensino formal.


Juan Angel Rodríguez e a valorização técnica do violão

O primeiro passo importante nessa trajetória veio com a chegada de Juan Angel Rodríguez. De origem argentina, ele trouxe para Belo Horizonte uma abordagem técnica diferente, baseada em métodos europeus.

Rodríguez introduziu o uso de cordas de tripa, que produzem um som mais suave e equilibrado.

Esse detalhe técnico pode parecer pequeno, mas ajudou a aproximar o violão do repertório erudito. Além disso, ele utilizava métodos pedagógicos inspirados nos mestres espanhóis Fernando Sor e Francisco Tárrega.

Esses compositores são referências da chamada “escola clássica do violão”, ou seja, uma tradição que trata o instrumento com o mesmo rigor técnico aplicado ao piano ou ao violino. Ao introduzir essa abordagem, Rodríguez ajudou a mudar a percepção sobre o violão.

A pesquisa de Souza destaca que, a partir desse momento, o violão começou a ser visto como um instrumento sério, com potencial para integrar o repertório erudito e, consequentemente, o ambiente acadêmico.

 

Sugestão de imagem 1 (após este subtítulo):
Imagem: https://images.unsplash.com/photo-1510915228340-29c85a43dcfe
Legenda: Violão clássico com cordas tradicionais utilizado em repertório erudito
Posicionamento: Após o subtítulo “Juan Angel Rodríguez e a valorização técnica do violão”


José de Assis Martins e a consolidação do ensino em Belo Horizonte

O segundo personagem importante é José de Assis Martins, aluno direto de Rodríguez.

Martins foi responsável por consolidar o ensino do violão na capital mineira.

Como professor, ele formou diversos violonistas e ajudou a estruturar um modelo pedagógico baseado na tradição da escola de Tárrega. Isso significa que o ensino passou a seguir uma metodologia mais sistemática, com exercícios técnicos, repertório progressivo e foco na interpretação musical.

Entre seus alunos, destaca-se Maria Rachel Tostes, que posteriormente teria papel fundamental na institucionalização do violão no ensino superior.

A atuação de Martins foi essencial porque ele não apenas ensinava técnica, mas também ajudava a criar uma comunidade de estudantes. Esse movimento coletivo fortaleceu o instrumento e ampliou sua presença nos espaços de formação musical.

Sugestão de imagem 2 (após este subtítulo):
Imagem: https://images.unsplash.com/photo-1525201548942-d8732f6617a0
Legenda: Aula de violão em ambiente educacional
Posicionamento: Após o subtítulo “José de Assis Martins e a consolidação do ensino”


Maria Rachel Tostes e a chegada do violão ao ensino superior

A etapa decisiva da trajetória aconteceu com Maria Rachel Tostes.

Discípula de José de Assis Martins, ela foi a primeira mulher a lecionar violão em uma instituição de ensino superior no Brasil.

Em 1973, Tostes iniciou o curso de violão na Fundação Mineira de Arte (FUMA), hoje conhecida como Universidade do Estado de Minas Gerais.

Três anos depois, em 1976, ela também começou a lecionar no Conservatório Mineiro de Música, atualmente integrado à Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais.

Esse momento marca a entrada definitiva do violão na academia. O instrumento deixou de ser apenas parte de cursos livres e passou a integrar currículos universitários.

Segundo a pesquisa de Souza, o trabalho de Maria Rachel Tostes foi fundamental para a consolidação do violão como disciplina acadêmica.

Isso significa que o instrumento passou a ter reconhecimento institucional, com carga horária, avaliação e formação profissional.

Sugestão de imagem 3 (após este subtítulo):
Imagem: https://images.unsplash.com/photo-1511671782779-c97d3d27a1d4
Legenda: Estudante praticando violão em ambiente universitário
Posicionamento: Após o subtítulo “Maria Rachel Tostes e a chegada do violão ao ensino superior”


O violão entre o popular e o acadêmico

A trajetória apresentada por Fábio Nery de Souza mostra que o violão viveu uma espécie de transição cultural.

O instrumento não deixou de ser popular, mas passou também a ocupar espaços formais de ensino.

Esse processo envolve o que a pesquisa chama de “dicotomias” (contrastes) e “similaridades” (pontos em comum).

Ou seja, o violão manteve sua identidade popular enquanto absorvia características do ensino erudito.

Essa dupla identidade é uma das razões pelas quais o violão continua sendo um instrumento tão presente em diferentes contextos: concertos, escolas, universidades e práticas informais.

Sugestão de imagem 4 (após este subtítulo):
Imagem: https://images.unsplash.com/photo-1507838153414-b4b713384a76
Legenda: Violão em apresentação musical
Posicionamento: Após o subtítulo “O violão entre o popular e o acadêmico”


Conclusão

A chegada do violão à universidade não aconteceu de forma imediata. Foi resultado de um processo gradual, construído por diferentes personagens ao longo do tempo.

Primeiro, Juan Angel Rodríguez trouxe uma abordagem técnica que valorizou o instrumento. Depois, José de Assis Martins consolidou o ensino e formou novos músicos.

Por fim, Maria Rachel Tostes levou o violão para dentro das instituições de ensino superior.

Esse percurso mostra que o reconhecimento acadêmico do violão foi fruto de um trabalho coletivo.

Hoje, o instrumento ocupa um espaço legítimo na formação musical, sem perder sua forte ligação com a cultura popular.


Como citar esta pesquisa

SOUZA, Fábio Nery de. Dicotomias e Similaridades na Trajetória do Violão em Belo Horizonte. 2023.


Sobre o pesquisador

Fábio Nery de Souza é pesquisador na área de música, com foco na história do violão e práticas musicais em Belo Horizonte. Sua investigação analisa relações entre ensino formal e tradições populares do instrumento. O trabalho destaca processos históricos de institucionalização do violão em Minas Gerais. Atua com pesquisa em educação musical e performance.


Fonte da pesquisa

  • Pesquisador: Fábio Nery de Souza
  • Área de pesquisa: Música / Educação Musical / História do Violão
  • Nível da pesquisa: 2023 (Pesquisa acadêmica)
  • Instituição: —
  • Artigo: Dicotomias e Similaridades na Trajetória do Violão em Belo Horizonte
  • Link original: (Inserir link da pesquisa quando disponível)

Metadescrição (120–160 caracteres)
História do violão na academia em Belo Horizonte: três personagens que ajudaram a transformar o instrumento popular em disciplina universitária.

Resumo do blog
Este texto apresenta como o violão passou das esquinas para a universidade em Belo Horizonte. A partir da pesquisa de Fábio Nery de Souza, destacamos três personagens centrais: Juan Angel Rodríguez, José de Assis Martins e Maria Rachel Tostes. O texto explica como suas ações contribuíram para consolidar o violão como disciplina acadêmica.